(Português do Brasil) Escola da Terra

……………As crianças da Escola da Terra As crianças da Escola da Terra eram diferentes de todas as crianças que já conheci. A escola Pé no Chão era construtivista e nos legou um histórico muito particular. O trabalho da antiga dona, a Thais, teve continuidade e deu bons frutos. Todos deram mudas incríveis. Quando a escola da Terra fechou, cada criança seguiu seu rumo, e o que se viu foi jovens que correram mundo e todos foram bem sucedidos na vida. Por incrível que pareça, cerca de 90 % deles moraram fora do Brasil ou seguiram carreiras bem bacanas. Rodrigo e Ian moraram na Nova Zelândia, Rodrigo Seródio foi para a Austrália e depois para a Holanda, Vasco mora até hoje em Londres, Uri morou na Itália e em Israel, Tisbe e Samara também continuam morando em Londres, Jurema e Marisa moraram na Suiça, Anajá virou uma linda bailarina, Christiam morou na Suécia e em outros lugares e é um pintor dos bons e um super fotógrafo, Kim viveu em Bali e rodou mundo, Lucas virou um exímio arquiteto e é baixista , Bruno e Davi são bons músicos, Vinícius e Sayuri se tornaram bons chefs de cozinha, Matia vive na Itália e também é chef e assim praticamente todos se deram bem na vida e são jovens sensacionais que eu amo muito. Eram crianças que brincavam bastante e cresceram subindo em árvores, nadando no rio, correndo no quadrado e sendo felizes em tempo integral. São muitas as estórias engraçadas dessa meninada e as vezes me pego rindo sozinha e lembrando de cada uma com um carinho muito grande. A estória que mais me faz rir é a do Uri, filho da Ilana. Ele era um menino bem danado e inventava mil e uma peripécias para descolar uma graninha extra. Acreditem ou não mas ele era um exímio vendedor e seria capaz de vender geladeiras no Alasca! Na escola vendia piolhos. Catava nas cabeças de quem tinha e colocava numa caixinha de fósforos e levava para a escola. Lá vendia para os colegas que corriam para se queixar com os professores. Quando os mesmos iam olhar as madeixas da meninada, pulavam de horror ao ver os indesejados sugadores de sangue e imediatamente mandavam as vítimas para casa. Isso era tudo que a petizada queria. Ir para casa e ficar de boa. Também vivia com seu estilingue estourando as poucas lâmpadas das ruas e nos deixando sempre no escuro. A moça que trabalhava na casa da Ilana se chamava Mundinha e fazia um bolo maravilhoso de chocolate. Ele escondia bem o bolo e comia sozinho e depois falava para a mãe que os amigos tinham comido tudo. Eu que acompanhava sua vidinha agitada achava a maior graça no seu jeito de ser e morria de rir quando ele atacava os bolos ainda quentes falando tudo para mim e melhor prá eu! Lembro uma peça de teatro que foi encenada na escola e contava a estória da Cleópatra. Meu filho Rodrigo era um faraó e entrou com a barriga tão chupada que nem conseguiu falar seu texto. Também teve um espetáculo incrível em que todos representavam as décadas passadas e tinha hippies, yupes, punks e roqueiros. Na hora do show todo mundo ficou arrepiado de ver a garotada dançando e cantando. Numa das gincanas tinha um grupo que era dos descombinados e outro que era dos hippies. Como o Lucas estava num grupo e o Rodrigo em outro e eu tinha que ir a caráter pensei em dar uma de hippie descombinada. Na hora de sair meus meninos me perguntaram se eu não iria me produzir. Falei que já estava e eles fizeram um ahhhhh a gente achou que você está igual a todos os dias. Fiquei roxa de raiva mas acabei rindo. Meus filhos sempre me agradecem por terem se criado aqui, nesse paraíso tropical e eu fico feliz de ter tido a ousadia de ter escolhido esse lugar para viver e ser feliz. Inchalá!